Quarta-feira, Junho 14, 2006

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Sexta-feira, Abril 28, 2006






Pinhead Society- Kings of Our Size (1998, Candy Factory/Música Alternativa)

Caem como peças de dominó os projectos que, à nascença, dão por si agrilhoados a um termo de comparação pegajoso. Quantos mais “novos Radiohead” terão direito a uma longevidade meteórica? Quem acredita – sem deixar escapar um sorriso malandro – que os Elbow seriam mesmo capazes de rivalizar com a banda de Kid A? Provavelmente só mesmo os ingénuos que pedem a Mike Patton velhas glórias de Faith No More num concerto de Fantômas ou Tomahawk. O que foi não volta a ser, e apenas com destemido arrojo (e pontuais momentos de Washing Machine em mente) se arriscava a inclusão dos Pinhead Society e Sonic Youth num emaranhado de comparações equívocas. Infelizmente, foi esse o desconfortável estigma que os perseguiu. Tivessem lançado Kings of our Size por altura da livre circulação de MP3 e a banda de Mariana Ricardo teria sido gigantesca. Juntem-se-lhe umas sobras de estúdio e raridades avulsas, e pode até ser que uma edição comemorativa do seu 10º aniversário faça justiça a um disco que, apesar de aclamado, apagou-se rapidamente da memória colectiva.

Corria o ano de 1996 e as esperanças lusitanas eram basicamente duas: contemplar a ascensão dos Pinhead Society e assistir ao triunfo da Selecção no Europeu de Inglaterra (ninguém esperava, contudo, aquele “chapéu” do Poborsky e muito menos a convocação de Porfírio). A considerável projecção hertziana do hino “Go Oh!” e o CD-S incluído na saudosa caixa Tripop faziam a juventude de então (aquela de que fiz parte) acreditar que a adesão a esta sociedade equivaleria a gozar de boa companhia durante os anos que restassem ao domínio do acne. Partilhar da nacionalidade dos Pinhead Society garantia aos seus devotos algum orgulho patriótico (em ascendente, por aquelas alturas) e a sensação de pioneirismo, caso a banda alcançasse projecção internacional.

As condições propícias reuniam-se da mesma forma que os sinais verdes e aprovações necessárias à descolagem de um hipotético foguetão, pronto a partir de uma plataforma situada no universo infantil invocado em Kings of our Size. “Portugal, we have a problem”. Algo falhou (o excesso de expectativas ou o moroso período de gestação, quem sabe) quando o projéctil já ia alto, entre as flores e as estrelinhas, tal como Mariana e a restante tripulação idealizara a viagem. Fica um curto mas rico legado que, por força de ter sido concebido por quem compõe música com a mesma naturalidade com que sonha, nem sequer conhece o peso do tempo que a ninguém costuma perdoar.

Por ocasião do feudo que opunha Billy Corgan a Stephen Malkmus, servia de pretexto à troca de galhardetes confrontar o opositor com a autoria da mais perfeita melodia a ser cantarolada por um jovem ao acordar. “Today” era argumento de peso por parte do megalómano Corgan. Ainda assim, e conhecesse o duelo justo arbítrio, a vencedora por empate técnico seria Mariana Ricardo (a principal compositora do colectivo lisboeta). Kings of our Size é um daqueles discos que grita “carpe diem” a cada acorde, transborda vitalidade e frescura capazes de satisfazer uma geração inteira, é remédio santo para toda a doença (não há cismar que resista a “We Feel Top” ou nostalgia que não se sinta aconchegada por “A Cockle in the Shell”). O único álbum dos Pinhead Society é perfeito na sua dimensão (arquitectada pelo multi-colorido que se espalha pelas suas dez faixas), compacto na sua conceptualidade subtil, adequado a quantas ocasiões os verdes anos reservam. Escuta-se e volta-se a ele como a uma bicicleta BMX.

A condição de debutantes e a postura low-profile leva a crer que os próprios Pinhead Society não fizessem ideia da importância que Kings of our Size viria a ter como radiografia emocional de uma geração à porta da idade adulta. Apetecia prolongar indeterminadamente a juventude ao som de “Story Game” e “Hi, Mrs. Sparks” e recorrer a “The Booze” como escape à ameaça das Provas Globais. Fosse necessário condensar em poucos minutos toda a inquietude e ansiedade de quem viu demasiados episódios de V – Batalha Final e, para tal efeito, bastaria “Heaven must be Boring” – espécie de representação musical do cruzamento entre a psique do jovem comum da segunda metade da década de 90 e os moldes alegóricos usados por David Lynch em Eraserhead – No Céu tudo é Perfeito, com direito a interferência de telemóvel e tudo. Kings of our Size roça a perfeição que se espera de um objecto desta (pequena) envergadura. Mas, às vezes, nem o melhor é suficiente.

Fosse eu capaz de fazer chegar uma encomenda à morada celestial de John Peel e este seria o disco que lhe enviaria.

Miguel Arsénio (A Records Lovers Agradece A Colaboração)
migarsenio@yahoo.com
13_02_2005
Alinhamento do Album:
We Wanted To Play...; Story Game; Heaven ; Must Be Boring Because You Can't Discuss Literature; Long Distance Callers; We Fell Top;Every Other Day; Hi Mrs. Sparks; A Cookie In The Shell; The Booze; Car Crash Experience ( a fiction)...; But We Can't Come Up With More ...

Segunda-feira, Abril 24, 2006


Linda Martini - Linda Martini EP (Naked,2006)

"Os lisboetas Linda Martini usaram a Internet como mostra do seu rock faça-você-mesmo e apadrinhados pelos irlandeses God Is an Astronaut, criaram um culto que já os levou em digressão pela Irlanda e Inglaterra."(Jornal Blitz, Nº1118)
São um quinteto criado em 2003 com o propósito de «suar e cantar em português», que depois de dois anos de ensaios gravam uma maqueta de apresentção nos Estúdios Black Sheep com a produção de Fernando Matias e masterização de Niels Kinsella(God Is an Astronaut), lancando-a como Ep homónimo a 30 de Janeiro. «Este Mar», «Amor Combate>», «Efémera» e «Lição de Voo Nº1» compõem a maqueta, com o semanário Blitz a defini-la como "tempestades eléctricas e intrincadas, por vezes sem voz humana, de progressão lenta, mas poderosa"
Nestes 4 temas, navegam por aqui os Mogwai, Godspeed You Black Emperor, Ornatos Violeta e Mars Volta em doses recomendáveis e extremamente estonteantes e viciantes.
Com a edição do álbum de estreia marcada para Maio, os Linda Martini vieram para ficar. Eles são muito mais que o tema «Amor Combate» que "assaltou" rádios como a Antena 3.
Em entrevista, o baterista Hélio Morais explica e adianta: « Sabemos que há pessoas que acham que somos demasiados comerciais, mais por causa do tema «Amor Combate». São pessoas que, quando ouvirem o álbum , poderão ficar desiludidas... ou não. O álbum é meio instrumental, tem algumas músicas cantadas mas sempre pouco cantadas. Por isso, às vezes, parece que estamos um bocado ao meio: para os mais indie, somos comerciais e, para quem ouve o que a rádio lhes oferece, não somos o suficientemente comerciais. Mas, como nos concertos tem aparecido bastante gente, julgo que essas duas partes estejam a perceber o conceito. Ou, pelo menos, parte das duas partes».
Aguarda-se a estreia do álbum para confirmar ainda mais a qualidade.

Quarta-feira, Abril 12, 2006


Radiohead - Pablo Honey(Parlophone, 1993)
Disco que lançou Thom E. Yorke (guitarra,voz), Jon Greenwood (guitarra,piano), Ed O'Brien(guitarra), Colin Greenwood (baixo), Phill Seeway (bateria) para as luzes da ribalta, muito graças a uma faixa denominada de "Creep", que se torna num hitsingle e toma de assalto as rádios do Reino Unido e do resto do mundo.
Os Radiohead, por estas alturas, ainda tentam encontrar o caminho a seguir que mais tarde iriam encontrar e definir com "OK Computer" e "Kid A".
"Creep" dispensa comentários.Quem não a conhece e não a adora?; "Prove Yourself" revela Thom Yorke a desejar a morte e a mostrar a sua capacidade e qualidade como letrista, tanto para canções de amor( "Thinking About You") como de angústia, e "Prove Yourself" prova-o muito bem.
Yorke afirma que "Anyone Can Play Guitar".Será mesmo verdade?E pede para que lhe cresça o cabelo, pois gostava de ser como Jim Morrison.
"Blow Out" caberia perfeitamente em X&Y dos Coldplay, on será porque X&Y é "Blow Out"?Fica a dúvida...
"I Can't" é mais bela que "Lurgee", mas "Lurgee" é mais verdadeira e mais pura que "I Can't".

Sexta-feira, Abril 07, 2006

HOLE - Live Through This(City Slang/Geffen,1994)

Segundo disco das Hole de Courtney Love, marca a transferência de uma indie(Caroline) para uma major label(Geffen).
Em Live Through This deparamo-nos com dois lados de Courtney Love: de um lado a rebeldia, a agressividade, a violência e a raiva; do outro, a suavidade, a emotividade, a sua calma e doçura em doses certas de rock tenso/explosivo.
12 anos depois, Live Through This continua a soar extraordináriamente bem e muito actual, presenteando-nos com excelentes riff's de guitarra.
"Violet" é furiosa;"Gutless" é fantástica, arrepiante,e brutal;"Jennifer's Body" é rápida, melódica,violenta e viciante; "She walks on me" tem muito da guitarra de Cobain de «Aneurysm» dos Nirvana e "Asking for it" continua com as impressões digitais de Kurt Cobain, aliás, em 1996, surgiu uma versão demo com a sua voz como backing vocals.
"Pretty On The Inside"(1991) e "Celebrity Skin"(1998) é o antes e depois de "Live Through This".
A banda anunciou o fim em 2001, mas muitos fãs ainda rezam pelo regresso.

Terça-feira, Abril 04, 2006


RENDIMENTO MÍNIMO - "Desconfiança Cega"
Os Rendimento Mínimo são uma banda especial para mim. Simples, humildes, descontraídos e a praticar um Rock'n Roll com muita garra, com letras que da melhor forma criticam o que se passa à nossa volta. Isto tudo em português e com um orgulhoso sotaque minhoto. Ao fim de 6 anos em concertos, algumas alterações de formação e gravações de concertos que passadas de amigo para amigo iam fazendo as delícias dos fãs, os Rendimento Mínimo finalmente gravam um registo com a qualidade que mereciam. Esse registo chama-se "Desconfiança Cega" e promete surpreender muita gente, pelo menos quem não os conhecia!
Logo a abrir o tema título faz-nos adivinhar o que virá no resto do EP, Rock'n Roll com influências Blues e uma mensagem bem Punk. Segue-se um já clássico da banda "Suja Razão" com grande prestação vocal de Alcino. A seguir "Homem Acorrentado" introduz o Hip Hop dos conterrâneos Tribo Urbana uma mistura de Rock com Hip Hop muito bem conseguida. "O Diabo Dança" afirma-se como a melhor música de sempre dos RM! Uma melodia excelente, um refrão poderoso e uma forte subida de intensidade e o uso do francês em metade da música.
"Num Instante, O Distante" é também uma excelente música, bons solos, boa aceleração e excelente voz berrando "Porque eu desespero de te querer para mim!".
Depois "Contar Os Segundos", a mais antiga canção dos RM, outrora chamada "Sonho Americano", é merecedora de comparações com os vizinhos bracarenses Mão Morta com Alcino num registo vocal mais falado que cantado. Para acabar em beleza o guitarrista Tiago apodera-se do microfone e canta "o Rock rolla em Barcelos" ao que o côro responde "e eu ajudo a rolar" e sem dúvida enquanto os Rendimento existirem o Rock vai continuar a rolar em Barcelos!
www.myspace.com/rendimentominimo, alcinoch@iol.pt
By: Pedro Luís Silva
www.pontomortozine.blogspot.com
www.myspace.com/aziapunkbcl

Terça-feira, Março 28, 2006




















THE DOORS -THE DOORS(Elektra, 1967)

Primeiro disco da banda de Jim Morrison(voz), Ray Manzarek(teclas), Robbie Krieger(guitarra)e Jonh Densmore(bateria). Abre brutalmente com "Break on Trough(to the other side)", lançada como compacto de apresentção, obtendo muito pouco sucesso. Rotchild, produtor do álbum, decide então lançar outro compacto de apresentação como último suspiro, e escolhe "Light My Fire", que se torna num êxito, sendo primeiro na tabela de compactos e pondo o LP em segundo no top da publicação Billboard.
Nesta disco,já se cheira perfeitamente a genialidade de Jim Morrison que deixa muitas expectativas em relação ao futuro da banda.
Temas como "Twentieh Century Fox" e "Take it as it comes" mostram as potencialidades da banda num rock muito original.
Não renegando o blues, estando sempre presente, fazendo uma versão fantástica de Willie dixon, "Back Door Man".
Finaliza o álbum a extraordináriamente "The End", com mais de onze minutos(sem dúvida inspirada por Goin'Home dos Rolling Stones,a primeira gravação de rock a ultrapassar os dez minutos de duração)a fazer com que o disco,que começa explosivamente, termine suave e calmamente.

Sexta-feira, Março 24, 2006



SEX PISTOLS - NEVERMIND THE BOLLOCKS (1977)

Reconhecido mundialmente como o disco que articulou as frustações e a insatisfação de toda uma geração de jovens sem futuro, dificilmente há palavras para descrever a importância deste disco e as sensações que ele ainda hoje provoca.
Quem não conhece ou já ouviu temas como "Anarchy in the U.K." ou "God Save The Queen"?
A rebeldia de Johny Rotten(voz), os riffs sensacionais de Steve Jones(guitarra), e a atitide de Sid Vicious(baixo) vão eternamente influenciar gerações de jovens prontos a rebentar de fúria.E tu?És ou foste um deles?


GREEN DAY - DOOKIE(Reprise, 1994)


10 milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos, este é o álbum de punk-rock da geração de jovens da segunda metade de década de 90.Aqueles mesmo jovens, que após o suicídio de Kurt Cobain, expoente máximo da cena grunge, trocaram as t-shirts dos Nirvava e Pearl Jam, pelas dos Green Day e Offspring.
Teenagers falhados,a difícil adolescência, a masturbação, são alguns dos assuntos abordados em temas perfeitos, rápidos e melódicos...Obrigatório em qualquer discografia punk-rock/rock!!! E tu?Já o tens?
P.S.:Este álbum foi propositadamente "blogado" para um dos elementos de uma das futuras melhores bandas de punk-rock nacionais comentar,o Pedro Silva dos Azia!!!

Quinta-feira, Março 23, 2006




NIRVANA - NEVERMIND (DGC, 1991)
Este foi um dos discos que mudou a minha vida(a minha e a de muita gentinha que conheço)!
Descobri a raiva e a revolta,o inconformismo e o desalento na voz do Kurt Cobain...Atrás deste disco vieram os Pearl Jam, Soundgarden ,Mudhoney, Alice in Chains,entre muitos outros...O punk da decada de 70 e o Metal/Hard-Rock presente em doses certas em Bleach, mas isso já é outra história...
E a ti?Revoltou-te a guitarra de Cobain, o baixo de Novoselic e a bateria de Grohl, ou nem por isso?